Crise hídrica e agricultura familiar são pautas de revisão do PPAG em Valadares
20.10.2017
IPATINGA - As dificuldades
vividas pela crise hídrica, demandas quanto ao acesso à água, além de ações e
iniciativas relativas à Agricultura Familiar foram os temas da Discussão
Participativa do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2016-2019 –
Revisão para 2018, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, nessa última
quarta-feira. O evento, realizado nas dependências do Campus I da Universidade
Vale do Rio Doce (Univale), contou com a participação da deputada estadual
Rosângela Reis, além de técnicos e representantes de vários órgãos públicos,
entidades e sociedade civil organizada.
A
interiorização da revisão do PPAG é promovida pela Assembleia Legislativa de
Minas Gerais (ALMG) por meio de audiências públicas da Comissão de Participação
Popular. No encontro, representantes do Vale do Rio Doce e do Vale do Aço
puderam sugerir mudanças em programas e ações do Executivo e, portanto, na
destinação dos recursos públicos, cada vez mais escassos em virtude da crise
financeira que atinge o Estado. Esse cenário ficou evidente nos balanços feitos
por gestores de diversos setores do governo estadual sobre o que já foi
realizado do PPAG no atual exercício (2017).
Tragédia de Mariana foi lembrada
Se
é para falar de água em Governador Valadares, a Tragédia de Mariana, na região
Central do Estado, maior desastre ambiental da história do Brasil e que está
prestes a completar dois anos, foi lembrada, embora não tenha sido o centro das
discussões.
O
município é cortado pelo Rio Doce, diretamente afetado pela avalanche de
rejeitos de minério de ferro que comprometeu toda a bacia, chegando ao Oceano
Atlântico, após o rompimento da Barragem de Fundão, da Mineradora Samarco.
No
encontro dessa quarta, uma preocupação citada por vários participantes dos dois
subgrupos (Água e Agricultura Familiar) foi a recuperação e a preservação de nascentes,
com medidas de incentivo a quem protege e punição aos responsáveis pela sua
degradação. Também foram cobrados a punição aos responsáveis por queimadas e
investimentos em saneamento.
O
desastre ambiental também foi citado pela deputada Rosângela Reis, que é
atualmente vice-presidente da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos
para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce).
"É bom lembrar que o Rio Doce já tinha sérios problemas antes e foi
atingido pela maior degradação já vista em um rio do planeta", apontou.
Rosângela
Reis ainda fez críticas à Fundação Renova, com a qual se reuniu na véspera para
cobrar mais efetividade nas ações de recuperação ambiental e reparação de danos
da Tragédia de Mariana. A fundação foi criada pela Samarco e suas
controladoras, as mineradoras multinacionais Vale e a BHP.
“Não
conhecia pessoalmente a cara dessa fundação, ou seja, os representantes da
entidade, e a reunião foi bastante improdutiva, apesar das ações serem bem mais
do que uma obrigação. As pessoas da região ainda temem por sua saúde. Nesses
dois anos, a natureza tem conseguido aos poucos se recompor, mas a população
precisa estar atenta, pois precisamos da água para viver”, reforçou Rosângela.
Crise hídrica e agricultura familiar são pautas de revisão do PPAG em Valadares
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