COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL: ALMG votará requerimento pedindo diálogo com Quintão
14.09.2017
BELO
HORIZONTE – Entremeada por depoimentos emocionados e testemunhos da dura
realidade vivida pelos aposentados e aposentadas no Município de Ipatinga, a
audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia
Legislativa de Minas Gerais, nesta quarta-feira (13), deliberou pela votação de
dois requerimentos na Casa. O primeiro deles solicitará ao prefeito Sebastião
Quintão (PMDB), que estabeleça um diálogo com a categoria, para buscar uma
solução para a questão da complementação salarial dos servidores inativos.
Também houve deliberação para encaminhar o conteúdo da audiência pública e
histórico da situação ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas pedindo
providências.
Solicitada
pelo deputado Rogério Correia (PT), a pedido do Sindicato Único dos Trabalhadores
em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) a audiência acabou sendo presidida
pela deputada Rosângela Reis (PROS), em função da ausência do presidente da
Comissão, Cristiano Silveira (PT). Embora convidados, Sebastião Quintão e
Nardyello Rocha não participaram da reunião, nem enviaram representantes, o que
foi lamentado pelos presentes.
Lucília
Fernandes, diretora responsável pelo Departamento Jurídico do Sind-UTE/MG,
subsede de Ipatinga, fez um histórico da situação, desde a Lei 1.311/94, com a
instituição do benefício da complementação, bem como a determinação de seu
pagamento até que fosse criado um fundo. “Desde essa época, já se sabia que o
fundo era necessário e que, com as aposentadorias vindouras, haveria o
desequilíbrio financeiro”, relembra Lucília. “A lei foi alterada de novo em
2014, para regulamentar uma questão específica da extensão de jornada na
educação. Ou seja, os poderes Legislativo e Executivo reconheciam a
legitimidade da lei, que foi modificada, aprovada e aplicada durante mais de 20
anos”, afirma.
A
partir de 2015, os aposentados começaram a sofrer com a irregularidade nos
pagamentos, que culminou, em junho de 2017, com o corte até mesmo da quitação
dos empréstimos consignados e planos de saúde contraídos pelos servidores junto
aos bancos onde recebiam os benefícios. “Com esse prefeito, não tem diálogo,
não tem vontade política de resolver o problema. Há mais de cem ações judiciais
em andamento, com determinação de pagamento e o prefeito simplesmente as
desconhece”, lamenta a diretora.
A
advogada Edilene Lobo, que assessora o departamento jurídico do Sind-UTE/MG, se
disse impressionada com a insistência verificada no município de Ipatinga em
descumprir a Constituição Federal e as determinações judiciais. “O desrespeito
aos direitos humanos perpetrados em Ipatinga não se resume à violação dos
aposentados. Extrapola o interesse das famílias, pois envolve a validade do
Poder Judiciário e o mínimo que ainda resta de democracia nesse País”, analisa,
mencionando as várias ações judiciais intentadas pelo Sindicato com
determinações de pagamento. “Trata-se aqui de violação do direito que tem o
trabalhador de, ao completar uma das maiores cargas de trabalho, por décadas, fruir
de seu descanso. É uma violação deliberada, criminosa e insistente, contra o
direito do Idoso e ainda contra o não cumprimento de decisões judiciais. Quem
vai mandar prender esse cidadão?”, questiona a advogada, referindo-se a
Sebastião Quintão.
Ela
lembrou ainda que o prefeito está contratando profissionais caríssimos, pagos
pelo povo de Ipatinga, só para combater as decisões favoráveis aos aposentados.
“O prefeito, em crise, pode contratar advogado para ir contra os aposentados?
Pode contratar comissionado?”, provocou, em referência ao dado apresentado pelo
Dieese de que os cargos comissionados passaram de 242 em 2016 para 270 em 2017.
E continuou: “Crise autoriza a não cumprir a lei? Crise autoriza não pagar
servidor?. Nossa expectativa é de que a Comissão e a deputada Rosângela, que
tem proximidade com o prefeito e é da cidade,
possa contribuir para a solução do problema”, concluiu.
José
Ramos, que falou como representantes dos aposentados, ressaltou as dificuldades
trazidas pela decisão do prefeito de não pagar nem os consignados, bem como o trabalho
realizado pelo grupo para atender os mais necessitados com cestas básicas
doadas pela comunidade. “O prefeito nos enrolou o tempo todo para ganhar tempo.
Usou e usa de todos os recursos jurídicos para nos impedir de receber, embora
durante toda a campanha tenha afirmado seu compromisso conosco”, expôs. Um
vídeo foi exibido com o depoimento de algumas aposentadas.
ENCAMINHAMENTOS
Integrante
da direção estadual do Sind-UTE/MG, Feliciana Saldanha ressaltou que a cidade
tem um prefeito que não negocia com a categoria, que abusa de manobras
jurídicas para impedir os direitos dos aposentados e agradeceu aos movimentos
sociais, na pessoa do “Binho”, do Movimento dos Atingidos por Barragens,
movimento que compõe o Comitê Popular em Defesa da Democracia do Vale do Aço,
que tem discutido e apoiado a luta dos aposentados na região. Aproveitando a
presença da deputada Rosângela Reis e sua proximidade com o prefeito Sebastião
Quintão, pediu a ela a intervenção para a abertura de um canal de negociação.
“Essa audiência é mais uma ação para dar visibilidade à nossa luta, mas também
precisamos que a Assembleia Legislativa
nos ajude com encaminhamentos concretos, que possam resultar em efetividade”,
manifestou-se. Feliciana propôs ainda que a ALMG encaminhe relatório da
audiência pública ao Ministério Público, ao TCE, ao Município e também à Câmara
Municipal, pedindo providências, o que foi acatado. Ela também defendeu uma
representação ao Tribunal de Justiça, pedindo intervenção no Município, pelo
descumprimento de ordens judiciais.
MESA DOS TRABALHOS
Compuseram
a Mesa da Audiência Pública, os deputados estaduais Rosângela Reis e Rogério
Correia, os representantes do Sind-UTE/MG Lucília Fernandes, Feliciana Saldanha
e a advogada Edilene Lobo, José Ramos, representante dos aposentados, Liliane
Maria Barbosa, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioecnômicos (Dieese), a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de
Ipatinga (Sintserpi), Marcione Menezes e Pablo Andrade Dias, coordenador
nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Compõem a Comissão de
Direitos Humanos os deputados Cristiano Silveira (PT), Celise Laviola (PMDB), Durval
Ângelo (PT) e Noraldino Júnior (PSC),
como membros efetivos.
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