Acessibilidade é foco em Vivência no trânsito. Os obstáculos estão por todo canto
TIMÓTEO - Atravessar uma via na faixa de pedestre parece simples, mas essa
não é a realidade para uma parte da sociedade. Nesta quinta-feira (21), Dia Nacional
de Luta da Pessoa com Deficiência, pedestres que estavam passando pelo Centro
Norte tiveram a oportunidade de participar da dinâmica “Vivência no trânsito”,
realizada pela manhã e à tarde. Outra dificuldade nas cidades, em especial no município de Timóteo, se concentra nos passeios danificados
Os passantes foram convidados a ficar de olhos vendados ou em
cadeira de rodas para sentir as barreiras pelas quais passam diariamente as
pessoas cegas, de baixa visão, cadeirantes ou com alguma dificuldade de
locomoção. Por outro lado, demonstrando que é possível superar as limitações,
os alunos da Apae pararam o trânsito na Alameda 31 de Outubro com uma
apresentação de dança.
A atividade de sensibilização foi promovida pelo Conselho
Municipal da Pessoa com Deficiência de Timóteo (CMPDT) em parceria com a
Secretaria de Assistência Social, e integra a programação alusiva à data, que
incluiu visita à transitolândia, blitz educativa e visitas às escolas. A
programação conta com a participação da Associação dos Pais e Amigos dos
Excepcionais (Apae), Centro de Referência em Educação Inclusiva Ativa Pe. Jean
Marie Lemaire (CREIA) e Associação dos Deficientes Visuais de Timóteo (Adevita)
e apoio da Pastoral da Pessoa com Deficiência e da Polícia Militar.
“Nós precisamos que todos os setores façam as adaptações
necessárias para que as pessoas com deficiência possam ter acessibilidade. Os
governos devem se preocupar com essa questão, para que possamos viver com
tranquilidade e termos a efetividade dos nossos direitos, que são iguais aos
das pessoas ditas normais”, apontou a pedagoga, Luciana Bossi, que é cega. Professora de Braile do CREIA, Bossi defende
que a sociedade deve ter empatia com as pessoas com deficiência para perceberem
os seus limites e se colocarem no seu lugar.
Sem direção
Essa
mudança de lugar foi a proposta principal da “Vivência no trânsito”. A moradora
do Bromélias, Cléria Maria de Oliveira Costa, afirmou que a experiência foi
gratificante, mas difícil. “A gente não percebe a dificuldade das pessoas com
deficiência transitarem numa cidade que não está preparada para elas”,
constatou, citando, por exemplo, a ausência de rampa. O motorista de transporte escolar, Geraldo
Santana de Silveira, morador de Cachoeira do Vale, perdeu literalmente a
direção com as vendas. “Nossa senhora, como é difícil. Mandaram ir para a
esquerda e estou indo pra direita. Não consegui nem encontrar o meio-fio para
tocar com a bengala”, comentou Silveira, reconhecendo a dificuldade para os
cegos atravessarem a rua, principalmente no horário de pico.
“É
uma experiência que todos deveriam passar para se sensibilizarem e se colocarem no lugar do outro”, salientou a secretária de Assistência Social
de Timóteo, Carmem Miranda, que também
teve os olhos vendados para atravessar a rua. A secretária defendeu o fortalecimento dos conselhos das pessoas
com deficiência e das políticas públicas no país que estão voltadas para essa
minoria, que não é tão pequena assim. “As pessoas com deficiência
representam 25% de toda população
mundial. Muitas vezes, é uma parcela
invisível da população. Nos países de
primeiro mundo, os deficientes têm maior visibilidade e a garantia de seus
direitos”, relatou a secretária, frisando que é necessário sensibilizar a
sociedade para mudar essa realidade brasileira.
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