A Escritora Margarida Drumond fala da MAGIA DE ESCREVER
27.07.2017
| Margarida Drumond de Assis |
Converso com você, hoje, sobre uma data
que tem muito a ver comigo e com todos aqueles que se entregam à paixão que é
escrever: 25 de julho, Dia Nacional do Escritor. E só trago esta reflexão neste
momento, exatamente porque, ontem e mesmo hoje durante todo o dia, estive absorvida
demais em pesquisas para um novo livro, agora sobre Padre Abdala Jorge, esse vocacionado
por Deus para a santidade e que por 57 anos serviu a Deus na pessoa do outro e à
Igreja, na Paróquia São José de Acesita, em Timóteo, Minas Gerais. Há apenas
sete meses entreguei aos leitores meu livro mais novo, o ensaio Da página ao palco: estudo e transposição de
linguagem de O espelho, de Machado de Assis, e o fiz quando levei a
Caratinga, no auditório do Centro Universitário de Caratinga – UNEC, a
biografia Dom Lara: vida de amor,
testemunho de caridade, lançado em Cel. Fabriciano em dezembro de 215, por
ocasião dos 90 anos de vida do agora saudoso Dom Lelis Lara. Já em Brasília, o Da página ao palco teve lançamento no
mês passado, na 33ª Feira do Livro de Brasília, quando contei com vários amigos
na apresentação da palestra de abertura das celebrações de meus 40 anos de
atividades literárias.
É, pois, no afã desta alegria que é
partilhar com o leitor a lembrança desta data sobre quem partilha sua
criatividade, pensamentos e emoções acerca de fatos e pessoas que compõem nosso
viver, que aqui estou agora. Como lembrou nosso poeta maior, “Lutar com
palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu
pouco (...)”. Quanta sensibilidade teve Drummond, assim definindo a magia de
escrever! Também muito me tocou o que externou uma escritora de Roraima,
segundo quem “ser escritor é se jogar no abismo... É um ato de coragem!” De
fato é preciso ter coragem para se deixar ver nas páginas de um livro, criando
histórias, poesias, expondo coisas, pensamentos, fatos históricos, em tudo
passando a própria visão de mundo, com o risco de a sua mensagem não alcançar o
que a princípio se desejou. Por outro lado, não deve ser preocupação do
escritor um alcance restrito de sua palavra, pois uma vez escrita, ela segue
seu caminho, podendo suscitar no outro diferentes sentidos e interpretações. E
que bom que é assim, pois buscamos, na arte de escrever, informar, entreter,
fazer pensar. Se tal é alcançado, o escritor deu um importante passo.
E, eu,
particularmente, neste caminhar entre um e outro livro que vou lançando, vibro
com as descobertas que faço, sendo um desafio
torná-lo possível. Sim, porque não basta ter uma ideia e colocá-la no
papel, é preciso lapidar o pensamento, tanto quanto possível, tirando arestas, até
que, após ingente luta com as palavras, ela se nos vem acessível, levando-nos a
crer que pode chegar ao leitor. Bem escreveu o romancista e poeta francês, Victor
Hugo, quando aconselhou: “Escritores, meditem muito e corrijam pouco. Fazei as
vossas rasuras no vosso próprio cérebro”. A maturação é necessária.
Tomando agora por outro ângulo a questão
do Ser Escritor, ainda temos a angustiante preocupação sobre como editar a obra.
Como fazer chegar ao leitor um livro se os orçamentos editoriais são gritantes,
se também a Distribuição é outro fator com que devemos muito nos preocupar? Para
ilustrar, eu mesma tenho pronto para edição um novo romance, o Doce complicação, embora não saiba como
esse intento se dará, mas uma certeza há: ele chegará em breve. E o que dizer do
livro para o qual comecei pesquisa em
março último, acerca de Padre Abdala, esse intrépido e grande sacerdote da
igreja de Timóteo, Diocese de Itabira – Cel. Fabriciano, para quem é muito mais
importante dar atenção ao ser humano do que erguer um templo e não se ter a
certeza de que a pessoa que nele entrará estará bem? No fazer literário, uma coisa deve estar
clara: o que importa primeiro é se pôr a caminho e acreditar que o restante virá.
Assim,
neste momento em que lembramos o Dia do Escritor, inicialmente registrado em 25
de julho de 1960, por iniciativa de Jorge Amado e João Peregrino Júnior, no I
Festival do Escritor Brasileiro, sob organização da União Brasileira de Escritores
- UBE, fica-nos a esperança de que o escritor jamais se sinta tolhido. Dificuldades
externas podem advir, mas a coragem deve sobrepor-se, levando-o sempre ao
prazer de escrever.
Margarida Drumond de
Assis é professora e jornalista, autora de Um conflito no amor e Além dos
versos, entre outros livros em gêneros
literários diversos.
Contatos: www.margaridadrumond.vai.la Tel.
(61) 98607-7680 https://www.facebook.com/margaridadrumond
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