27 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente na ótica do Pediatra Eduardo Marcondes
13.07.2107
REDAÇÃO - “Com o
Código de Menores (Lei 6697 de 1979)”, o Brasil estabeleceu como diretriz
básica a doutrina de proteção integral (Lei 8069 de 1990) para
assegurar a garantia dos direitos e do atendimento de crianças e adolescentes,
em todo o território nacional. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é o
marco legal – como um farol que ilumina a todos brasileiros sobre a consciência
e o reconhecimento da criança e do adolescente até dezoito anos como um
sujeito de direitos, e assim assegurando a prioridade
absoluta como cidadão do país e a sua proteção como dever da família,
da sociedade e do Estado, descrita no artigo 227 da Constituição Federal
de 1988.
Essa
lei teve inspirações que vieram da efervescente mobilização nacional de instituições
da sociedade civil, dos legisladores e profissionais das várias áreas
associadas aos trabalhos com a infância e a adolescência, inclusive com o
protagonismo de muitas crianças e adolescentes, assim como de diversas
declarações e documentos internacionais, principalmente a Convenção sobre os
Direitos da Criança e outros compromissos aprovados e ratificados pelo
Brasil, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989.
Desde a
sua redação e aprovação final, com 267 artigos originais, sendo que no Título
II e no Capítulo I, são 8 artigos específicos os que asseguram os Direitos à
Vida e à Saúde, além da interação com outros artigos como a proteção contra a
violência e sobre os direitos à convivência familiar e comunitária, educação,
cultura, esporte e lazer. Tantos artigos fizeram jus a algumas modificações e
atualizações nestes 27 anos, como a Lei 13010 de 2014, conhecida como a Lei
Menino Bernardo, contra a violência e o castigo físico; a Lei 12594 de 2012
sobre a criação do SINASE, Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, e a
recente Lei 13257 de 2016 sobre o Marco Legal da Primeira Infância, além das
modificações aos artigos 240 e 241 contra a exploração sexual de crianças e
adolescentes, inclusive através do meio digital.
Questões
que parecem triviais sobre os cuidados de saúde das crianças e adolescentes
atualmente, para os pediatras mais jovens, foram asseguradas através do ECA,
como: os atendimentos gratuitos à gestante durante o pré-natal com o registro
civil obrigatório do recém-nato, alojamento conjunto, amamentação, vacinações,
acesso gratuito e universal às ações e aos serviços de saúde, odontologia,
tratamentos clínicos, cirúrgicos ou complexos e os atendimentos específicos às
deficiências e hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde, o acompanhamento de
um dos pais em tempo integral durante todo o tempo de hospitalização, além da
notificação compulsória de suspeitas da violência e muitas outras medidas de
proteção e políticas públicas voltadas ao atendimento dos direitos de saúde. O
Brasil contribuiu também, através do modelo do ECA, para outros documentos de
alcance.
É bem
verdade que ainda temos muito que construir em redes e parcerias para assegurar
que políticas públicas afirmadas através do ECA sejam implementadas em cada
cidade de nosso país e para dizer não à discriminação, não ao abandono, não à
invisibilidade de crianças em situações desfavoráveis, traumatizantes e de mais
vulnerabilidade, não à exclusão social, não à violência e
sempre sim aos melhores interesses à Vida e à Saúde das crianças e
adolescentes brasileiros.
Porém,
por tudo que representou no que tange à proteção das crianças e adolescentes,
no próximo dia 13 de julho é tempo de celebrar os 27 anos de aniversário do
ECA, através de cada atendimento médico pediátrico (a profissão que abracei há
mais de 40 anos) e do empenho de todos que atuam para que cada criança e
adolescente possa ter assegurada sua saúde e assim brincar alegremente, estudar
e desfrutar de sua cidadania plena, durante todo o período do seu crescimento e
desenvolvimento e em todos os momentos nessa fase tão importante e que de cujos
cuidados e atenção depende o seu futuro como cidadãos.
27 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente na ótica do Pediatra Eduardo Marcondes
Reviewed by Unknown
on
16:33:00
Rating:
Reviewed by Unknown
on
16:33:00
Rating:
